
Este post descreverá relatos de um filme ( Narradores de Javé) de uma pequena entrevista com uma senhora de 71 anos não alfabetizada e um artigo de Magda Soares.
A história de cada indivíduo começa onde começam as suas recordações; um grupo social começa quando pode deixar rastros gráficos das suas experiências, dos seus atos de comunicação, dos seus pedidos ou desejos. ( Liliana Tolchinsky)
Este trecho pode definir bem a situação dos moradores de Javé, desde sempre a necessidade é a grande aliada do homem, se a cidade não estivesse sendo ameaçada talvez jamais teria-se a iniciativa de escrever o "Livro da Salvação", eles se veem diante de uma situação até então ininimaginável, a difícil tarefa perpetuar um povo, uma história, uma terra e suas crenças.
Apesar de os moradores não terem conhecimento acadêmico, logo pensaram que a melhor maneira de terem sucesso em sua causa seria gravar seus relatos escrevendo um livro, afinal a mais importante forma de registro gráfico inventada pelo homem é a escrita, eles tiveram que recorrer à Biá(personagem do filme) o único alfabetizado do vilarejo, com índole duvidosa, mas todos tiveram que creditar essa missão à ele, um dos probelmas de quem não sabe ler ou escrever é esse, de acreditar nas pessoas.
A sensação de que o mundo é uma ameaça constante, é frequnte para essas pessoas, dona Maria José de 71 anos relatou-me que um conhecido seu foi preso sem culpa pois o mandaram uma delegacia com um papel escrito algo que ele não sabia e com sua inocência entregou ao delegado e o papel dizia que ele o culpado de algo que ele não cometeu, ela dizia isso muito assustada e disse: " é miha filha quem não sabe ler e escrever sofre, se te derem um papel com o endereço do inferno você vai pois não sabe ler".
Busca-se incanssávelmente a "formula secreta" de se trazer cultura, a escrita propriamente dita e a leitura de maneira efetiva e fortalecedora para todos, a tecnologia contribuiu e muito para isso, o acesso às informações tem sido facilitado, mas ainda sim as condições de nosso país não permitem que os menos favorecidos priorizem a educação em suas vidas, apesar de ter entrevistado uma senhora de idade ela tem um filho com menos de 40 anos que não é alfabetizado e já perdeu as expectativas de um dia ser, mas não é o caso dela ela me disse: "eu não tenho inveja de nada que os outros tem, mas eu sinto quando vejo alguém que sabe ler e escrever, mas com toda minha idade avançada eu melhorando a saúde eu vou estudar.", é extremamente incetivadora as palavras de dona Maria José e por que não aprender com ela que são coisas que o dinhiro não pode comprar é que nos fazem mais falta.
Em um outro momento ela disse que sente até desgoto de viver quado se lembra que ela não tem "leitura" e não pode frequentar uma escola, diante disso vemos que a vida se remete a coisas mais profundas que podemos imaginar, nós que tivemos a oportunidade de ser alfabetizado temos celular, email , orkut, google e afins não notamos que ao nosso redor a exclusão de ..., o não acesso a ..., a falta de ..., estão latentes e com mesma proporção.